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domingo, 9 de outubro de 2011

Ela (ou eu?)


Ela poderia abraçar o mundo, se quisesse.
Ela fala as maiores besteiras bem fundamentadas do mundo.
Engraçada. Simpática. Tímida. Sorridente. Insegura.
Ela é do tipo que sabe e finge não saber. Ou que não sabe que sabe.
Ela gosta da simplicidade, mas não é.
Ela sabe ouvir. Ela sabe entender. Ela sabe tentar.
Ela sabe escrever. Ela sabe pensar. Ela sabe de muito.
Ela sabe de tudo, menos que ela sabe.
Ela é uma das coisas mais malucas.
Ela ama as estrelas. Ela ama a lua. Ela ama o céu.
Curiosa. Nunca cansa de aprender.
Cheia de complexos, curáveis. Cheia de medo e insegurança, infundados.
Cheia de medos.
Não gosta de silêncio. Sabe que gestos falam mais que palavras.
Ela gosta de rir, acha que a vida não vale a pena se não for divertida.
Ela pode ser a melhor pessoa do mundo, mas se disfarça de pior.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Juliana

O que eu acho de mais interessante sobre a vida é como os caminhos são traçados. Nossas escolhas, nossas prioridades, nossas futilidades, nossos anseios... tudo se encaixa tão perfeitamente, mesmo que às vezes não pareça se encaixar, que cada vez mais me conveço de que nada é por acaso.

As pessoas que você conhece, as conversas, uma bebida que você escolhe tomar ou não. Um olhar que você recebe que te faz tremer. Um gesto que aparentemente não significa nada, mas que faz o seu dia melhor. Um filme que você assiste e que simplesmente muda tudo o que você pensa sobre relacionamentos e sobre o que você pensava que sabia sobre eles!

Sei que posso ser uma eterna romântica-cheia-de-clichês e brigar comigo todos os dias por ser assim, mas hoje não! Hoje eu simplesmente quero aplaudir de pé todas estas pessoas que se entregam, que esperam sempre mais e que, no fim, ainda se surpreendem. São estas pessoas que me inspiram a ser quem eu sou e como eu sou.

Me magoar? Sim, é inevitável...
Mas quem disse que os que não se magoam são mais felizes?

Eu sou feliz porque dou minha cara a tapa.
Porque não tenho vergonha de dizer, de pensar, de agir...
Porque sou eu mesma, com minhas manias, minhas chatices, minhas expectativas, meus medos, meus defeitos... sou feliz porque posso ser várias Juliana's sem me arrepender de ter sido todas elas, ou nenhuma delas.

Quem não gostar... well, que aperte logo o ctrl+w.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Por que tu não tem namorado

Às vezes eu preciso escrever, mas não sei exatamente o quê. Aí leio, pra ver se bate aquela inspiração. Hoje fiz isso, mas ao me deparar com o texto que se segue, vi que minhas palavras são desnecessárias. Extraído do site CarasComoEu


Por que tu não tem namorado


Perguntaram pra mim: "Por que eu não tenho namorado? Algo em mim repele os homens? Sou uma mulher embargada? Há uma placa de 'proibido estacionar' em minhas costas? Me diga!". Olha, eu não sei porque não tem namorado. Honestamente.

Poxa, come batata frita, torta de limão, churrasco e trufa de leite condensado. Ok, a alcunha de magricela, cabo de vassoura ou Olívia Palito nunca lhe serviram, talvez. Urros sobre sua suposta suculência não têm advindo de prédios em construção, quiçá. Quem sabe não fica bem de "tomara-que-caia", tropica no salto agulha, não combina numa minissaia. Mas desbanca a miss Venezuela num vestido primaveril, pisando numa rasteirinha prateada, com o cabelo preso naquele lápis cor-de-rosa, soprando a franja pra cima no calor. Não vai me acreditar, mas tu é bonita.

Tu passa longe de uma Fernanda Young, uma Lya Luft, uma Sandra Werneck. Mas tu é inteligente à sua maneira. Assiste novela, mas não comenta a vida dos personagens. Gosta da Clarice, da Cecília, da Martha. Curte o Tom, a Adriana, o Nando, a Zizi, o Cazuza. Trabalha, suspira, trabalha, checa as unhas, trabalha, sonha, trabalha, belisca uma água-e-sal, trabalha e um colega te olha. E te acha bonita idem. E também se intriga com tua solteirice.

Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma frequência do desejo. Se faz não vibra na mesma frequência que o parceiro. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê. Se derrete mais rápido que o sorvete napolitano na xícara de sopão quando a mocinha diz "você me fez acordar com um sorrisão no meu rosto". Chora na frente de ninguém, ai de ti se mais alguém souber. E você não vê a hora de um príncipe encantado por ti libertar esse riso largo atrofiado, mas sabidamente bonito.

Tem suas esquisitices. Dorme de edredon e ventilador, coleciona esmaltes, cerra as pernas quando sentada e fica coçando o joelho com uma das mãos enquanto a outra segura a cabeça pelo queixo, ensaia dança do ventre pro espelho do banheiro, faz duas vezes antes de pensar, tem uns "nhe-nhe-nhê" de mulherzinha, mas qual não tem? É até bem charmoso. Nada tão relevante quanto sua forma meiga e carinhosa de perguntar "tu tá bem?". Nada mais importante que teu ímpeto de cuidar dos outros. Nada que mude minha convicção de que tu é bonita.

O que te falta? Falta tu mesma se convencer do que te falo com certeza. Tu merece alguém que abra os olhos diariamente e pense: "cara, eu tô com ela, eu sou o namorado dela!". Que goste da tua boca, do teu ombro, do teu cabelo bagunçado, do teu calcanhar, da tua cintura, das tuas mãos, do cheiro da tua pele, das sardas do teu rosto. E isso vai acontecer naturalmente ao você se dar conta de que tu é bonita, no âmago e na lata. Eu acho, teu ginecologista também, o colega de trabalho assina embaixo. Um dia serás o amor da vida de alguém, do jeitinho que tu é. Falta tu. Acorde hoje e repita: "eu sou bonita".

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Carpe Diem

Andei pensando, dei uma lida nos meus textos, li coisas de outras pessoas e cheguei à conclusão de que minha opinião aqui tem ficado cada vez mais confusa. Estou em dúvida se sou simples demais ou complexa demais. Estou sucumbindo ao pecado da hipocrisia e fazendo exatamente o que eu critico. E assim, acabo me auto-criticando, cada dia mais severamente.

Mas aí, eu nas minhas andanças e correntes de pensamentos, parei pra refletir e me veio uma luz, assim, bem fraca e um pouco tímida, nada de luz no fim do túnel, foi quase um vagalume, bem do meu lado. E foi assim, em meio aos vagalumes, que eu tive a minha melhor constatação dos últimos tempos: eu não sou superficial. Tive vontade de colocar minha cabeça pra fora da janelinha do ônibus e simplesmente gritar isso garganta a fora. Foi um estalo na hora, pois percebi que é isso que venho criticando aqui há tempos mas que até hoje não tinha conseguido resumir em uma só palavra: SU-PER-FI-CI-A-LI-DA-DE.

É isso, é simples. Vamos aos fatos:
Hoje em dia é todo mundo tão superficial que ninguém se mostra mais. Escondem o passado, a família, os amigos, os sentimentos negativos. É uma fuga constante por medo de um conflito que talvez não vá nem existir. Nem o sexo casual, que é uma maneira legal de ser superficial, tem graça mais... porque você simplesmente nunca sabe com quem está transando. Todo mundo só quer a parte boa da relação, não há entrega. E aí nasce aquela relação sem vida, sem nada que a sustente.

As coisas estão tão invertidas que o bonito lema "Carpe Diem" tá sendo interpretado como: "já que a felicidade é efêmera, o importante é eu me dar bem não importa às custas de quem".

Pra mim, a entrega é uma atitude, é acreditar em si e apostar no outro. É disponibilidade. Quem não se dá, provavelmente nada recebe.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Paixão


















Eu gosto muito de escrever. Mas gosto particularmente e especialmente quando estou emotiva. Hoje é um dia desses. Não sei por quê ou de onde vem esse sentimento estranho que me deixa meio leve, meio sonhadora, meio boba mesmo. Choro vendo os trailers de filmes que já vi. Me deixo levar por músicas e pelas suas melodias... me sinto capaz. Não sei, mas acho que me sinto mais viva. Com coração, com corpo, com lágrima e com doçura.

Parece coisa de gente apaixonada, mas não é. Aliás, é sim! Eu sou totalmente apaixonada pela vida.

Pelas pessoas e pela complexidade delas. Por mim e pelos meus defeitos. Pelos olhares sinceros e sorrisos escancarados. Pelas crianças inocentes e pelos idosos experientes. Sou completamente apaixonada pelas coisas pequenas da vida. Pelos meus amigos, pela minha família, pelo meu filhote lindo...

Isso é o que nos move. Paixão. Não importa pelo quê: pessoas, trabalho, carreira, futebol, animais, livros... o importante é se apaixonar. Por tudo, por nada, todos os dias...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ele não está tão afim de você

As mulheres têm essa estranha mania de achar que simples atos vindos de uma certa pessoa possam ser um sinal. Ele disse isso quando eu liguei. Ele me mandou uma mensagem. Ele me olhou daquele jeito. Ele tá afim de mim, eu tenho certeza.
Ok. Pode ser que ele esteja, mas na imensa maioria das vezes não, ele não está tão afim de você assim. Talvez ele tenha dito aquilo no telefone por educação. Talvez ele tenha mandado uma mensagem porque não podia telefonar. Talvez ele tenha te olhado daquele jeito simplesmente porque estava bêbado.
Vamos parar de achar coisas que não existem onde queremos que existam. Vamos lidar com isso naturalmente, vamos parar com os joguinhos. Se um cara quiser alguma coisa com você, ele vai correr atrás, ele vai te procurar. É simples! E se você quiser alguma coisa com o cara, qual o problema de deixar isso à mostra? Vamos simplicar mais, complicar menos.
Vamos esperar menos do outro e fazer a nossa parte, sem exigir demais, sem cobrar o que não nos devem. Rasgue suas notas promissórias, não dê mais cheque sem fundo e saia do negativo no banco.

E se quiser investir, invista em você...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

ESTAMIRA



Hoje fui contemplada com a oportunidade de assisir ao filme/documentário Estamira. E como fiquei encantada com ele, o documentário, e com ela, a protagonista.

Estamira é uma mulher que vive num lixão no Rio de Janeiro. Possuidora de uma incrível articulação para a fala, ela constrói uma narrativa que, apesar de parecer distoricda e totalmente ilusória à primeira vista, é cheia de verdade e conhecimento. Estamira divaga sobre o homem em sua pior forma, na forma de mentiroso, hipócrita, "esperto ao contrário", assaltante. Divaga sobre sua descrença em Deus, sobre a química do lixão, sobre o atendimento médico que recebe, sobre sentimento e emoção. Tudo acompanhada de muito humor, raiva, choro e gritos, simultaneamente.

Estamira é filósofa, guerreira, louca, lúcida e feiticeira, Estamira é várias mulheres em uma. Ela é o que é e não abre mão disso. O documentário acaba com ela em frente ao mar, dizendo:

"Sabia que tudo o que é imaginário existe? E é? E tem?"

Diante disso, fica a pergunta:
Quanto de loucura há na suposta lucidez e quanto de lucidez há na suposta loucura?

sábado, 7 de junho de 2008

SEXO FRÁGIL


Somos sobreviventes de um parto prematuro ou de um cordão umbilical enrolado no pescoço. Sobreviventes de uma infância pobre, de pais separados, de famílias despreparadas.
Sobrevivemos à adolescência caótica e à perda da inocência. Assim como sobrevivemos às brigas com a família e à vontade de fugir de casa.
Somos sobreviventes de um mundo ao avesso. Sobreviventes da luta contra a aparência, do império das grandes modelos e dos outdoors espalhados pela cidade.
Somos sobreviventes das piadas cruéis dos amigos e do ódio mortal aos inimigos.
Sobrevivemos aos amores perdidos, ao coração partido e às lágrimas derramadas. À solidão, à depressão e ao desespero.
Somos sobreviventes das várias ligações nunca feitas, das visitas que nunca chegaram e das flores que a floricultura nunca trouxe.
Sobreviventes dos beijos que ficaram apenas nos nossos lábios, dos olhos que não nos olharam e dos braços que nos negaram o abraço.
Somos sobreviventes das críticas, das revoluções e da falsa coragem.
Sobreviventes do corte de cabelo que saiu errado, da maquiagem borrada e da roupa repetida. Sobreviventes do espartilho, do sutiã com enchimento e das calcinhas fio-dental.
As mulheres quase morrem todos os dias, mas continuam vivas e nunca deixam de lutar.
Somos eternas sobreviventes.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

SIM OU NÃO?

Ele abre a porta, acende a luz. Ela entra.
- Pode ficar numa boa, não tem ninguém em casa.
Ela se senta tímida no sofá, acaba por abraçar uma almofada.
- Quer tomar alguma coisa? - pergunta ele, sentando-se ao lado dela.
- Ainda não, obrigada.
Ele estica o braço pelo encosto do sofá, devagar, por trás do pescoço dela. Chegando mais perto...
- A noite hoje é só nossa. - diz, ao pé do ouvido.
Ela sente o coração disparar no peito. Sente uma vontade de gritar: "NÃO". Quer ir embora, fugir dali. Respira fundo. Fica com raiva de si mesma. "O que eu sou, afinal? Uma menina infantil e boba? Fui eu quem quis vir!"
- Acho que quero tomar algo, sim. - diz, tentando espantar a ansiedade.
- Tá, peraí...
Ele vai até a cozinha, ela o acompanha com os olhos. Afunda-se cada vez mais no sofá.
- Toma! - ele lhe estende o copo com suco.
Ela toma um gole. Ele então se esparrama no sofá e respira fundo. Estaria ele também nervoso? Ela coloca o copo sobre a mesinha.
- Desculpa, acho que tô meio nervosa...
- Tudo bem...
E agora é ela quem chega mais perto. Apóia a cabeça nos ombros dele. Ele a abraça acariciando os cabelos. Com a outra mão, segura o rosto dela e a beija na boca. É bom estar em seus braços. Ele a puxa para o colo e a envolve ainda mais. Aperta-lhe os seios. Ela sente um frio na barriga, segura-lhe a mão. Os dois se olham. Ele, então, toca-lhe a barriga, segura a ponta da blusa e vai levantando devagarinho, sempre olhando nos olhos dela como quem diz: "Posso?". Ela ajuda levantando os braços, deixando a blusa deslizar. Ele encosta a cabeça no peito dela, deslizando o rosto pelo sutiã. Abraça-a, e o desabotoa por trás. Beija com carinho os seios dela. Deita-a no sofá e vai descendo, beijando-lhe a barriga. Ela está estática. Medo, nervoso, timidez? Tudo isso misturado a uma sensação de prazer. Ela acaricia-lhe os cabelos. Ele a olha de novo, põe a mão no botão da calça e vai descendo o zíper; puxa a calça dela com cuidado. Ela agora está só de calcinha. Ele se levanta e tira a própria blusa, prepara-se para tirar a calça. Ela olha pro corpo a sua frente, examina seu próprio corpo deitado no sofá. Um misto de sim e não a invade. Posso? Devo? Quero? Ela se senta, então. Agora é ele quem pára. Ela se abaixa, pega sua calça no chão e a traz para perto do corpo, como se estivesse querendo se cobrir. Olha nos olhos dele. Estaria tudo acabado? Ele fica confuso, até que ela estende a mão e do meio dos seus dedos surge uma camisinha. Ele a olha, e termina de tirar a própria roupa. Ela joga as delas novamente no chão, aliviada por ter criado tamanha coragem, sentindo-se agora mulher.