quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SER MÃE

Antes de ser mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes.

Eu não tinha roupas manchadas.
Eu tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.

Antes de ser mãe eu não tropeçava em brinquedos pela casa nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não. Imunizações e vacinas eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim, nem me beliscou com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos.

Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.
Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.
Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe eu nunca tinha segurado uma criança só por não querer afastar meu corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor.
Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida.
Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim.
Eu não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto.
Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança.
Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos para me certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe.

Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Gabriel, por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Obrigada por me permitir ser Mãe!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

FILOSOFANDO...

Ontem foi meu "primeiro" dia de aula. Depois de seis meses longe, foi ótimo voltar e ver que nada ali saiu do lugar. As mesmas pessoas, os mesmos professores andando pelos corredores, a mesma multidão reunida no bar em frente. Foi como se o tempo não tivesse passado e eu também não tivesse mudado.

Ontem e hoje tive aulas de Filosofia. Ótimas, por sinal! Foi lá, ouvindo os dizeres do meu professor mau-humorado e discrente do ser humano, que comecei a pensar no que escrevo aqui agora. Ele me fez pensar no homem e na nossa espécie de um jeito que eu nunca havia pensado antes. Marquei o "x" no curso Psicologia e agora estou realmente começando a entender porquê.

O ser humano é o objeto de estudo mais complexo e mais obscuro que existe! E eu tenho uma certa queda por tudo que não é claro e explícito. Por tudo que não se comprova apenas em teorias e contas no papel. O ser humano é totalmente moldado pela circunstância que o cerca. Damos a nossa verdade como verdadeira e quem vive no Iraque, Japão, Pólo Norte ou logo aqui no sul de Minas que se dane! Somos tão egoístas e mesmo assim tão adoráveis. Temos a cara e a coroa no mesmo lado da moeda.

A vida só é cruel porque é fundalmentamente assassina. Às vezes é preciso matar para viver. Mas mesmo assim, eu me pergunto: Como é que pode o ser humano ser a única espécie dotada de consciência e, ao mesmo tempo, ser o único animal da face da Terra que consegue destruir seu semelhante e se auto-destruir?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

28 . Agosto . 2008

"Hoje foi dia de consulta com o Dr. Reinaldo! Tá tudo ótimo comigo e com o Gabriel. Ele disse que até o dia 10 de Setembro esse meninão já deve ter nascido. Talvez eu tenha que fazer cesárea por causa do tamanho dele, too big...
Queria fazer parto normal, porque a recuperação é mais rápida e tranquila... mas tudo bem se tiver que ser cesárea, o que for melhor para nós eu topo!
Esse sábado, dia 30, tem mudança de lua e o Dr. reinaldo disse que isso pode influenciar no nascimento! Espero que Gabriel se empolgue e resolva nascer este fim de semana - como eu e minha cunhada, Julieta, já havíamos combinado.
Agora só estamos na espera, e parece que o Biel sabe disso... acaba de me chutar aqui, como quem diz: - Tô chegando!!"

Registro do meu diário pessoal no dia 28/08/08. Gabriel nasceu dia 30, como o combinado!
Desde sempre pontual e muito obediente... é isso aí filhão!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

3 MINUTOS

Às vezes me sinto meio anti-social. Meio morna, não-dona de mim. Ando meio distante do que me faz voar e a casa onde eu moro nem me parece lar. Acho que sinto falta de alguém pra brincar, alguém que ainda escreva poesia e que goste de colorir. Às vezes fico querendo sorrir sem motivo.

Acho que aceitar e engolir demais tem me feito gorda. Preciso deixar de lado os fatos e partir para os sonhos - os possíveis de serem reais, é claro. Acho que devo me atirar mais. Me enferruja tanta inércia, tanta lentidão.

Isso sem falar nessa solidão esquisita que às vezes cisma de me engolir sem mastigar, ela quer me comer sem nem me convidar pra jantar (vê se pode). Às vezes ainda explode em mim uma coisa que se parece com uma esperança de futuro melhor misturada com essa impaciência com o presente.

Fico aflita, sinto pena de mim mesma e me calo.
Então escrevo. Ou choro. Ou os dois. Ou nada.
E depois de 3 minutos, passa...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

DEVANEIOS


Duas da manhã.
Você se vê frente a frente com a geladeira aberta, olhando cada uma das coisas sem desejar realmente nenhuma delas. Dúvida entre os sabores. Por fim, você decide que quer chocolate, mas o chocolate acabou.

Pois é, opção pelo que não há.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

AH, SE VOCÊ LESSE ESSE TEXTO...

Ahh se você soubesse o quanto eu tenho precisado do seu abraço. Se você fizesse idéia de como eu tenho precisado do seu colo e do seu aconchego, dessa parte da minha calma que mora em você, na sua pele. Sei lá, essa coisa minha que não tem nome, que só sossega com seu cheiro, com seu toque. Não sei explicar o que é saudade, nem sei falar da ausência, mas é que daqui não dá pra ver o seu sorriso...cadê ele?? Cadê você?

Ahhhh se você soubesse o quanto eu tenho precisado do embolo dos nossos corpos nas manhãs de domingo. De como eu preciso te olhar dormindo e lembrar da criança que sou, só pra ter essa certeza que tenho, de como é bom ser sua.

Ai, se você soubesse...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

4 MESES

O Biel completou seus quatro meses no dia 30 de dezembro. Não postei no dia certo devido à correria do ano novo, natal, etc. Hoje está tudo mais calmo e resolvi escrever pra não deixar passar em branco, mesmo que esteja um pouco atrasada!

Tenho que dizer que a cada dia que passa este menino fica mais lindo (e não é corujice de mãe, é a mais pura verdade). Mais lindo, mais esperto, mais amoroso, mais carinhoso, mais malandreco e mais dependente da mamãe. E eu gosto tanto, apesar do trabalhão!
Nesses quatro meses, o Biel:

- Adora companhia e conversa. Se quebra de falar/gritar com a gente e com os brinquedinhos;
- Já tem o sorriso fácil, é uma verdadeira e autêntica mala-velha. É só dar corda e já vai se abrindo aquele sorrisão gostoso que alegra até o último fio de cabelo;
- Começou a estranhar os outros, acho eu... é só falar mais grosso ou ver alguém que não conhece para fazer uma cara seríssima e armar logo o beicinho;
- Descobriu suas mãos, que são ótimas para serem levadas à boca, e os pés, que já está quase conseguindo segurar;
- Continua a mamar só no peito. Quando sente o cheiro de leite ou vê que estou me preparando para amamentar, já começa a abrir a boquinha e a procurar o bico. Rs, tão lindo que só ele!
- Continua a dormir a noite toda... a mamãe agradece!
- Adora o banho!! E agora tudo o que está ao redor da banheira também toma banho... aprendeu a bater as perninhas e na hora de virar só quer saber de tentar ficar em pé;
- Adora estar peladinho e sem fralda (as avós que o digam). Começa a sorrir, a falar... não sei, é uma alegria que só presenciando pra saber!
- Já se vira sozinho e a cabecinha assim, sempre em pé;
- Faz menos cocô e, novamente, a mamãe agradece!


Na verdade, a mamãe agradece por tudo! Dizem que ser mãe é padecer no paraíso. Bem, ainda não padeci.... mas estou sim no paraíso! Com toda certeza!

domingo, 4 de janeiro de 2009

DOISMIL INOVE

E a gente, crente que ia dar pra fazer mais, quando viu já tava de roupa branca, fazendo contagem regressiva, vendo rolha de champanhe voar, levantando taça, fazendo brinde e gritando viva. Tudo assim, tão repentino. É mais um ano que termina. Menos um ano que começa. Quero falar dele. Falar desse, que mesmo que esperado, chegou tão de repente.

Pra começar, Nesse eu quero ser menos vaidosa e menos crítica comigo mesma. Não quero ser refém dos meus preconceitos, tantas vezes desfeitos e refeitos, mas sempre eleitos como inúteis. Quero me livrar das coisas fúteis (e isso inclui pessoas). Quero ser mais palhaça e menos pomposa, ter mais prazer no meu prazer. Apenas viver e ser. Pagar pra ver o que eu sou e só.

Nesse, eu quero me exercitar mais. Acordar e dar aquela esticada. Sair para caminhar e reorganizar as idéias. Quero apertar os laços com quem está amarrado em mim. Talvez alugar um apartamento, comprar uma cama de casal, escrever outro diário. Talvez ir pra praia, ou pro interior, ou simplesmente viajar... mesmo que no mesmo lugar.

Nesse novo agora, quero aprender a jogar direito o meu futebol, sem estar demais na defesa ou demais no ataque. Não quero ser santa tanto quanto não quero ser pecadora. Quero uma bebida que me aqueça, mas que não me deixe com amnésia e faça com eu me esqueça de quem eu sou quando estou sóbria. Talvez eu queira apenas uma tequila e dor de cabeça no dia seguinte.

Quero chegar inteira até o fim Desse. Quero ir até o fim assim. Quero voltar pra faculdade e aprender coisas novas. Quero fazer caminhos diferentes. Conhecer pessoas diferentes. Ver filmes diferentes. Quero apostar em mim e ganhar. Quero possibilidades. Não quero tanta rotina. Quero defender minha opinião sem ser arrogante. Não quero ser ingrata.

Nesse, eu quero tudo e quero nada.
Quero que o futuro chegue rápido, sem me esquecer do presente (que já chegou)!


Um ótimo 2009 pra você.

domingo, 28 de dezembro de 2008

HO HO HO

Natal é sempre uma coisa boa, né?
A família fica mais unida, as pessoas se abraçam mais, a cidade fica toda iluminada, as casas mais receptivas e até as comidas são mais gostosas. Eu queria que fosse sempre assim. Queria que não fosse preciso uma data específica para fazer a gente perceber quão importantes e quão especiais são aqueles que fazem parte de nossas vidas. Queria que todo dia fosse Natal e que o Papai Noel não fosse só mais um grande símbolo do capitalismo!

Feliz Natal pra quem me lê...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

PUTZ! TÁ FALTANDO...

Algo sempre nos falta. É impressionante, podemos estar em pleno conforto, ter tudo o que precisamos, conseguir aquilo que queremos... mas sempre, sempre falta algo. Estamos todos na busca do melhor. Queremos sempre ser pessoas melhores, mais respeitadas, mais dignas. Não julgo, também sou assim. Só não entendo por que a satisfação é tão difícil (ou impossível) de ser alcançada!

Uns viajam, outros ganham promoções no trabalho, alguns fazem três faculdades diferentes, outros vão para templos budistas, uns jogam na loteria, outros pagam a Igreja... enfim, não importa o que você faça para se tornar uma pessoa melhor, você sempre faz alguma coisa. E por mais que você já seja uma pessoa incrível, nunca é suficiente. Quanto mais nos tornamos bons, mais exigentes (e pés no saco) ficamos.

Eu não quero pregar aqui que "inércia" seja uma coisa legal. Não! Eu, particularmente, odeio ficar estagnada. Passo meus dias reclamando que não faço nada e que estou me tornando burra. O que está em pauta aqui é por que o ser humano nunca consegue matar sua sede. Eu sou humana e estou faminta.

"Algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, tudo bem, faz parte. Mas atormenta. Busque o que te falta sem dor nem culpa, embora doa, e em segredo." (Caio F.)