terça-feira, 5 de maio de 2009

ALGUMAS PERGUNTAS

Fiz um texto sobre mim mas decidi que não quero colocá-lo aqui. Caí em tantas contradições e nem sei mais se concordo com o que escrevi a minutos atrás. Tenho medo de que o que eu escrevi seja só minha vontade ser o que está ali no papel. Tenho medo de que eu realmente seja aquilo o que escrevi. Tenho medo de tentar me definir e parecer limitada. Tenho medo de descobrir que na verdade eu não me conheço e que nem sobre mim sei escrever. Tenho tantos medos e ao mesmo tempo tenho tanto pra não temer.

O que há de tão contraditório na existência?
O que há de tão real na contradição?
Por que há tanto limite na definição?

Será que somos todos compostos disso? Carne, ossos, órgãos, correntes elétricas e poeira estelar?
Hoje, sou só perguntas... quem sabe amanhã, respostas.

domingo, 3 de maio de 2009

NUVENS


Eu vivo nas nuvens. Acho que a realidade não é pra mim. Dizem sempre que é melhor eu descer, que as nuvens não são lugar para as pessoas crescidas viverem. Eu apenas sorrio pra estas pessoas e para os seus conselhos. Talvez algum dia, eu disse talvez algum dia eu desça. Mas eu sei que nunca irei. Realidade não é pra mim. Prefiro ficar aqui por cima, a visão é de tirar o fôlego.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A CURA DE SCHOPENHAUER

" O que mais temos? O que mais senão aquele abençoado e milagroso intervalo de ser e estar consciente? Se algo deve ser ser homenageado e abençoado, deveria ser apenas isso, a incalculável dádiva do mero existir. Viver desesperado porque a vida acaba ou porque não tem outra finalidade maior ou desígnio intríseco é pura ingratidão. Pensar num criador onisciente e dedicar a vida a um ajoelhar-se sem-fim parece sem sentido. Além de um desperdício: por que dar todo esse amor a um fantasma, quando há tão pouco amor em volta da Terra? Melhor aceitar a solução de Einstein e Spinoza: apenas inclinar a cabeça e bater no chapéu para as elegantes leis e mistérios da natureza, mas tratar de viver."

Irvin D. Yalom, A Cura de Schopenhauer, p.18

sexta-feira, 27 de março de 2009

QUESTÃO EXISTENCIAL:

Existe o doce sem o sal?

quinta-feira, 19 de março de 2009

UM ANO E DEZ MESES

O João me disse que hoje, por conta do nosso aniversário de namoro, procurou na internet algo que tivesse sido feito no período de 1 ano e 10 meses e não conseguiu encontrar nada. "Deve ser porque é pouco tempo..." ele justificou.

Terei que discordar.

Pra começar, várias coisas podem ser criadas em um período de 22 meses. O broto do feijão no algodão demora apenas dois dias pra nascer. Uma viagem de férias dura geralmente um mês, e ainda assim é muito gratificante. Uma vida fica pronta para nascer depois de apenas 9 meses. Conseguimos completar uma série na escola com apenas um ano. Com um ano e meio uma criança já anda e fala.

1 ano e 10 meses é muito tempo, meu amor. Foi durante esse tempo que nos conhecemos, nos respeitamos, nos amamos. Foi nesse "pouco" tempo que aprendemos várias coisas juntos, que tivemos um filho, que superamos nossas expectativas. Foi assim e com este tempo que nos foi dado que nos tornamos o que somos hoje. É claro que comparado ao tempo que ainda nos resta, bem, 1 ano e 10 meses são realmente um curto prazo. Mas não diz que é pouco. Porque é muito!

1 ano e 10 meses são 22 meses.
22 meses são 88 semanas.
88 semanas são 616 dias.
616 dias são 14784 horas.
14784 horas são 887040 minutos.
887040 minutos são 53222400 segundos.
53222400 segundos é tempo de sobra.

Eu fico feliz de ter passado esse monte de segundos ao seu lado! E lembre-se que o que você não achou no Google procurando "coisas feitas em 1 ano e 10 meses" estava bem na sua frente: NÓS!!

segunda-feira, 2 de março de 2009

INFINITO PARTICULAR

São nas idas/voltas da faculdade que tenho um tempinho pra relaxar a cabeça e pensar. Vou e volto ouvindo meu mp3 e, às vezes, só pra passar o tempo, fico analisando as letras das músicas que tocam aleatoriamente. Geralmente eu nunca consigo analisar nada e o tempo não passa. Mas outro dia, quando tocava "Los Hermanos - Retrato pra Iaiá" me peguei balançando a cabeça e discordando de Camelo e Amarante. Me desculpem, meus queridos, mas qual é a graça de ter uma "moldura clara e simples e ser só aquilo o que se vê"? Cadê o mistério? Não vejo nenhuma vantagem em ser assim, tão fácil de ser decifrada. E, cá pra nós, nenhum ser humano é tão claro e tão simples assim - ainda bem!

Acaso ou não, logo depois de Los Hermanos veio a linda Marisa Monte, com "Infinito Particular". Acho inteligentíssima a maneira como ela consegue se colocar transparente, imperfeita e até mesmo fácil de ser lida e ainda assim pedir, gentilmente, pra que a gente não se perca no seu infinito particular. É exatamente isso que somos. Vários pedaços simples que formam uma obra de alta complexidade.

A questão não é ser (ou não) transparente e claro. A questão é que nenhuma personalidade (que se preze) possa caber num retrato-falado. Há sempre mais e mais a ser descoberto, pelos outros e por nós mesmos. Quem aí nunca se surpreendeu ao descobrir ser mais tímido que extrovertido? Ao sempre dizer que não se emociona fácil e chorar naquele filme?

Ninguém, nunca, consegue se mostrar por inteiro. Mas isso também não quer dizer que somos mascarados ou que nos escondemos. Continuando com Marisa, "é só mistério, não tem segredo". E lembrem-se que a transparência não é um defeito, só não pode ser confundida com a falta de conteúdo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SER MÃE

Antes de ser mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes.

Eu não tinha roupas manchadas.
Eu tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.

Antes de ser mãe eu não tropeçava em brinquedos pela casa nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não. Imunizações e vacinas eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim, nem me beliscou com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos.

Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.
Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.
Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe eu nunca tinha segurado uma criança só por não querer afastar meu corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor.
Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida.
Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim.
Eu não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto.
Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança.
Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos para me certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe.

Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Gabriel, por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Obrigada por me permitir ser Mãe!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

FILOSOFANDO...

Ontem foi meu "primeiro" dia de aula. Depois de seis meses longe, foi ótimo voltar e ver que nada ali saiu do lugar. As mesmas pessoas, os mesmos professores andando pelos corredores, a mesma multidão reunida no bar em frente. Foi como se o tempo não tivesse passado e eu também não tivesse mudado.

Ontem e hoje tive aulas de Filosofia. Ótimas, por sinal! Foi lá, ouvindo os dizeres do meu professor mau-humorado e discrente do ser humano, que comecei a pensar no que escrevo aqui agora. Ele me fez pensar no homem e na nossa espécie de um jeito que eu nunca havia pensado antes. Marquei o "x" no curso Psicologia e agora estou realmente começando a entender porquê.

O ser humano é o objeto de estudo mais complexo e mais obscuro que existe! E eu tenho uma certa queda por tudo que não é claro e explícito. Por tudo que não se comprova apenas em teorias e contas no papel. O ser humano é totalmente moldado pela circunstância que o cerca. Damos a nossa verdade como verdadeira e quem vive no Iraque, Japão, Pólo Norte ou logo aqui no sul de Minas que se dane! Somos tão egoístas e mesmo assim tão adoráveis. Temos a cara e a coroa no mesmo lado da moeda.

A vida só é cruel porque é fundalmentamente assassina. Às vezes é preciso matar para viver. Mas mesmo assim, eu me pergunto: Como é que pode o ser humano ser a única espécie dotada de consciência e, ao mesmo tempo, ser o único animal da face da Terra que consegue destruir seu semelhante e se auto-destruir?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

28 . Agosto . 2008

"Hoje foi dia de consulta com o Dr. Reinaldo! Tá tudo ótimo comigo e com o Gabriel. Ele disse que até o dia 10 de Setembro esse meninão já deve ter nascido. Talvez eu tenha que fazer cesárea por causa do tamanho dele, too big...
Queria fazer parto normal, porque a recuperação é mais rápida e tranquila... mas tudo bem se tiver que ser cesárea, o que for melhor para nós eu topo!
Esse sábado, dia 30, tem mudança de lua e o Dr. reinaldo disse que isso pode influenciar no nascimento! Espero que Gabriel se empolgue e resolva nascer este fim de semana - como eu e minha cunhada, Julieta, já havíamos combinado.
Agora só estamos na espera, e parece que o Biel sabe disso... acaba de me chutar aqui, como quem diz: - Tô chegando!!"

Registro do meu diário pessoal no dia 28/08/08. Gabriel nasceu dia 30, como o combinado!
Desde sempre pontual e muito obediente... é isso aí filhão!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

3 MINUTOS

Às vezes me sinto meio anti-social. Meio morna, não-dona de mim. Ando meio distante do que me faz voar e a casa onde eu moro nem me parece lar. Acho que sinto falta de alguém pra brincar, alguém que ainda escreva poesia e que goste de colorir. Às vezes fico querendo sorrir sem motivo.

Acho que aceitar e engolir demais tem me feito gorda. Preciso deixar de lado os fatos e partir para os sonhos - os possíveis de serem reais, é claro. Acho que devo me atirar mais. Me enferruja tanta inércia, tanta lentidão.

Isso sem falar nessa solidão esquisita que às vezes cisma de me engolir sem mastigar, ela quer me comer sem nem me convidar pra jantar (vê se pode). Às vezes ainda explode em mim uma coisa que se parece com uma esperança de futuro melhor misturada com essa impaciência com o presente.

Fico aflita, sinto pena de mim mesma e me calo.
Então escrevo. Ou choro. Ou os dois. Ou nada.
E depois de 3 minutos, passa...